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quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

O FLUTUAR DAS NUVENS

        
Era uma dia desses,
anoitecidos,
caminhava numa calçada
quando de fronte
a uma loja,
talvez fosse de antiguidades,
me deparei com um vulto na vitrine,
era o meu reflexo.

Por alguns passos de tempo
fiquei a observar...
e eu via
estampado na vitrine
distintivamente do que havia...
o desfiladeiro de nuvens
atravessando o céu,
a minha impressão,
a esquizofrenia.

À sombra
de nuvens escuras,
embebidas em ideias
eu via no meu reflexo
os traços das minhas entranhas,
um ato reflexivo...
“Senhor, posso ajudar?”
Dirigiu-se a mim o vendedor.
O olhei com força nos olhos,
e respondi com silêncio no olhar.

Foi quando percebi
que já não estava em movimento,
de certo,
o tempo todo estive ali,
plantado,
fitando-me no vulto.

...e o flutuar das nuvens
foi só objeto do meu delírio.

C. L.

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